Powered By Blogger

sábado, 2 de outubro de 2010

Sigo em frente.

Anoiteceu, mas sinto que já faz tempo que a nossa vida escureceu. Agora, tudo o que tu podes ver no chão são pedaços meus que, na verdade, estão aí pra te guiar até tua casa. A minha companhia já não te conforta, eu sei, mas tu ainda precisas de mim para entender o que se tornou teu passado.

Sim, anoiteceu, e de uma vez por todas o brilho nos meus olhos ao te ver chegar não se faz mais perceptível. Os focos de luzes ecoam por detrás do muro do orgulho que tu colocaste na frente dos teus olhos, na busca incessante de não me deixar voltar para tua vida, e tudo o que eu faço acaba por tornar-se em vão.

Hoje já não há mais vagas em meus hotéis, nem rabiscos em meus papéis para tu achares que são poesias para ti. Perdi a vontade de te escrever. De fato, não desisti de tentar, só cansei de te esperar. E tu nem imaginas o quanto eu esperei você voltar.

A orquestra foi perdendo seus membros mais importantes, e eu fui me perdendo em livros, relógios, rabiscos em cadernos utilizados de toda sorte. Qualquer papel colocado em minhas mãos era facilmente tomado por consoantes ilegíveis. As iniciais do teu nome eram tão comuns quanto a vontade de chutar todos os obstáculos que encontro antes de chegar até a porta da tua casa.

Mas aí você decidiu que era o fim. Então, que seja.

Eu sigo em frente, eu sigo caminhando, eu já não sei mais como voltar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário